Carcinoma Basocelular: O que é, como identificar e tratar o câncer de pele mais comum do mundo

Alice Nunes • 6 de maio de 2025

O carcinoma basocelular (CBC) é o tipo de câncer de pele mais frequente no mundo, representando cerca de 80% de todos os cânceres cutâneos não melanoma. Apesar de sua baixa taxa de mortalidade, ele merece atenção por seu potencial de causar deformidades, principalmente em áreas expostas do rosto, como nariz, orelhas e pálpebras.

Vamos abordar de forma clara e detalhada tudo o que você precisa saber sobre esse tipo de câncer: como ele surge, por que acontece, como identificar sinais precoces, quais os tipos clínicos mais comuns, os tratamentos disponíveis e as medidas mais eficazes de prevenção.

O que é o Carcinoma Basocelular?

O carcinoma basocelular é um tumor maligno originado nas células basais da epiderme — a camada mais superficial da pele. Essas células são responsáveis pela renovação constante da epiderme e, quando sofrem mutações, podem se multiplicar de forma descontrolada.

Ao contrário de outros cânceres, o CBC quase nunca metastatiza (espalha-se para outros órgãos), mas pode crescer localmente, invadindo tecidos adjacentes como músculos, cartilagens e até ossos, se não for tratado precocemente.

Causas e fatores de risco

A exposição solar crônica e acumulativa é, de longe, o principal fator de risco. Isso significa que anos de sol desprotegido vão somando dano à pele — e esse dano celular se traduz, ao longo do tempo, em risco real de câncer de pele.

Outros fatores incluem:

  • Fototipo claro (pessoas de pele, olhos e cabelos claros)
  • Histórico de queimaduras solares, principalmente na infância e adolescência
  • Idade avançada (a incidência aumenta após os 50 anos)
  • Imunossupressão (como em pacientes transplantados ou com HIV)
  • Uso de câmaras de bronzeamento artificial
  • Exposição ocupacional a produtos químicos (como arsênio)
  • Histórico familiar ou pessoal de câncer de pele

📌 Importante: mesmo pessoas com pele mais escura podem desenvolver carcinoma basocelular, especialmente em áreas cicatriciais ou cronicamente inflamadas.

Como o câncer se desenvolve?

O carcinoma basocelular surge quando há um dano no DNA das células da pele — geralmente causado pela exposição ao sol sem proteção. Com o tempo, esse dano vai se acumulando, e o corpo nem sempre consegue reparar tudo corretamente.

Quando o DNA de uma célula é alterado, ela pode começar a se multiplicar de forma descontrolada, formando um tumor. No caso do CBC, isso geralmente acontece por alterações em um gene chamado PTCH1, que participa de uma via de controle chamada Hedgehog. Essa via funciona como um "sinal verde" para a célula crescer. Se ela fica ligada o tempo todo por causa de uma mutação, as células crescem sem parar.

Esse crescimento exagerado dá origem ao câncer. Por isso, proteger a pele do sol é tão importante: cada exposição desprotegida pode aumentar o risco de mutações como essas.

Como reconhecer um Carcinoma Basocelular?

O CBC pode se manifestar de várias formas, dependendo do subtipo clínico. É comum que a lesão seja pouco sintomática, o que atrasa o diagnóstico.

Os principais sinais incluem:

Formas clínicas

  1.Nodular (ou clássico)

  • Lesão perolada, translúcida, com bordas elevadas
  • Pode ter vasos sanguíneos visíveis (telangiectasias)
  • Frequentemente localizada em áreas fotoexpostas (nariz, pálpebras, testa)


  2. Superficial

  • Placa avermelhada, lisa ou levemente descamativa
  • Lembra uma dermatite ou micose persistente
  • Comum no tronco


  3. Pigmentado

  • Lesão escura, semelhante a uma pinta ou melanoma
  • Mais frequente em pacientes de pele morena ou negra


  4. Esclerosante ou morfeiforme

  • Placa ou nódulo firme, com bordas mal definidas
  • Pode ser confundido com cicatriz
  • Tem maior risco de recorrência após cirurgia


  5. Ulcerado (ulcus rodens)

  • Lesão com centro ulcerado e bordas elevadas
  • Pode sangrar com facilidade
  • Frequentemente confundido com ferida traumática


📌 Importante: toda lesão que não cicatriza em 4 semanas deve ser examinada por um dermatologista.

Diagnóstico: Como confirmar?

O diagnóstico clínico é feito pelo dermatologista, muitas vezes com auxílio da dermatoscopia digital, que permite observar estruturas internas da lesão. Para confirmação, é necessária uma biópsia de pele, que pode ser incisional (um fragmento) ou excisional (remoção total da lesão).

O exame histopatológico define o tipo de carcinoma basocelular e orienta a melhor conduta terapêutica.

Tratamento: Qual o melhor caminho?

O tratamento do CBC depende de três fatores principais:

  1. Subtipo clínico e histológico
  2. Localização da lesão
  3. Tamanho e profundidade


Opções terapêuticas:

.

 Cirúrgicas

  • Excisão convencional com margens de segurança: padrão-ouro para a maioria dos casos
  • Cirurgia de Mohs: indicada para áreas nobres (pálpebras, nariz, lábios), tumores agressivos ou recorrentes. Permite controle microscópico completo das margens.


 Não cirúrgicas

  • Curetagem e eletrocoagulação: indicada para lesões pequenas e bem delimitadas
  • Terapia fotodinâmica (TFD): excelente para lesões superficiais. Consiste na aplicação de um agente fotossensibilizante e posterior exposição à luz específica.
  • Imiquimode: creme imunomodulador usado em casos selecionados
  • 5-fluorouracil tópico: menos utilizado, porém eficaz em CBCs superficiais


 Terapia sistêmica (casos raros)

  • Para CBCs localmente avançados ou metastáticos, utilizamos inibidores da via Hedgehog, como:
  • Vismodegibe
  • Sonidegibe

* Essas medicações bloqueiam a proliferação descontrolada das células tumorais, com taxa de resposta significativa, embora apresentem efeitos adversos.

Prognóstico

Com tratamento precoce, o prognóstico é excelente. A taxa de cura ultrapassa 95% nos casos diagnosticados na fase inicial. No entanto, há risco de recorrência local, principalmente em tumores agressivos ou tratados inadequadamente.

Além disso, quem já teve um CBC tem maior risco de desenvolver novos tumores de pele — inclusive outros tipos, como o carcinoma espinocelular e o melanoma. Por isso, o acompanhamento dermatológico regular é essencial.

Prevenção: O que você pode fazer

A melhor forma de combater o carcinoma basocelular é evitar a exposição solar excessiva e proteger a pele diariamente.

Dicas práticas:

.

  • Use protetor solar FPS 30 ou mais diariamente, inclusive em dias nublados
  • Reaplique a cada 2 horas em exposição solar prolongada
  • Use chapéus, óculos de sol e roupas com proteção UV
  • Evite bronzeamento artificial
  • Não negligencie lesões que mudam de cor, forma ou sangram com facilidade
  • Faça autoexame da pele mensalmente
  • Agende consultas dermatológicas de rotina — principalmente se você tem fatores de risco


Informação salva pele

O Carcinoma Basocelular é um câncer de pele comum, silencioso e traiçoeiro. Embora raramente seja fatal, pode deixar sequelas importantes se não for diagnosticado a tempo.

Com informação de qualidade, prevenção adequada e acompanhamento dermatológico regular, é possível manter a pele saudável e evitar complicações.


Se você notou algo estranho na sua pele — uma pinta diferente, uma ferida que não cicatriza, uma lesão com borda elevada — procure um dermatologista de confiança.

Agendar consulta
Por Tais Paz 29 de janeiro de 2026
A queda de cabelo é uma das queixas mais frequentes nos consultórios dermatológicos e pode afetar homens e mulheres em diferentes fases da vida. Mais do que uma questão estética, a alopecia impacta diretamente a autoestima, a imagem pessoal e a qualidade de vida.  Com os avanços da dermatologia, já se sabe que não existe um único tratamento capaz de resolver todos os tipos de queda capilar . O que apresenta melhores resultados atualmente é a chamada terapia combinada , uma estratégia personalizada que associa diferentes tecnologias e métodos terapêuticos para atuar de forma completa sobre o couro cabeludo e o folículo piloso.
Por Tais Paz 22 de janeiro de 2026
Durante muito tempo, a região íntima feminina foi cercada de tabus, silêncio e desinformação. Hoje, a dermatologia moderna e a ginecologia caminham juntas para mostrar que a saúde vulvar é parte essencial da saúde da mulher , e que os cuidados com essa região vão muito além da estética: envolvem conforto, autoestima, função sexual e bem-estar. A vulva — parte externa do órgão genital feminino — é formada pelos grandes lábios, pequenos lábios, clitóris, monte pubiano e entrada da vagina. Assim como a pele do rosto e do corpo, essa região sofre influência direta de fatores como idade, alterações hormonais, gestações, emagrecimento, depilação frequente e predisposição genética. Com isso, podem surgir queixas funcionais e estéticas que hoje já possuem tratamentos dermatológicos seguros, eficazes e minimamente invasivos.
Por Tais Paz 14 de janeiro de 2026
Entenda as diferenças entre nevos melanocíticos, nevos displásicos e melanoma. Saiba identificar sinais de alerta e a importância do diagnóstico precoce.
Por Tais Paz 7 de janeiro de 2026
O lipedema é uma doença crônica e progressiva que ainda é pouco conhecida, muitas vezes confundida com obesidade ou linfedema. Essa falta de informação faz com que milhares de mulheres convivam por anos com dor, inchaço e frustração, sem um diagnóstico correto. Neste artigo, você vai entender de forma clara e completa o que é o lipedema, quais são seus sintomas, como é feito o diagnóstico e quais são as opções de tratamento disponíveis.
Por Tais Paz 18 de dezembro de 2025
As picadas de insetos são extremamente comuns e podem variar de simples incômodos até quadros dermatológicos mais importantes, com risco de infecção, cicatrizes e até transmissão de doenças. Nos últimos anos, observou-se um aumento significativo de casos relacionados a percevejos, pulgas e outros insetos, especialmente em ambientes urbanos, hotéis, viagens e residências. Entender como identificar, tratar e prevenir essas picadas é fundamental para a saúde da pele.
Por Tais Paz 8 de dezembro de 2025
O peeling químico é um clássico da dermatologia que nunca sai de moda — e por um motivo simples: ele funciona. Com décadas de estudos clínicos e constante evolução tecnológica, esse procedimento permanece entre os mais eficazes para transformar a qualidade da pele de forma segura, precisa e altamente personalizável. Ao aplicar combinações específicas de ácidos, conseguimos promover uma renovação controlada da epiderme e, em alguns casos, das camadas mais profundas da pele, estimulando colágeno, uniformizando o tom e suavizando desde manchas até linhas finas. O avanço dos protocolos modernos permite que os peelings sejam totalmente adaptados ao fototipo, biotipo cutâneo e necessidades de cada paciente — desde quem busca apenas mais viço até tratamentos intensivos. Por isso, mesmo diante de tecnologias como lasers e bioestimuladores, o peeling químico mantém seu espaço como uma das ferramentas mais versáteis e indispensáveis do consultório dermatológico.
Por Tais Paz 28 de novembro de 2025
A toxina botulínica, popularmente conhecida como Botox , é um dos procedimentos mais procurados em dermatologia estética — e isso não é por acaso. Quando aplicada por um médico especialista, ela oferece rejuvenescimento natural, prevenção de rugas e ainda trata diversas condições médicas , muitas vezes desconhecidas pelo público.
Por Tais Paz 19 de novembro de 2025
O verão é um período desafiador para quem convive com melasma. A combinação de sol intenso, calor, radiação UVA e luz visível, além do infravermelho do ambiente, cria o cenário perfeito para o aumento da produção de melanina — e, consequentemente, para o escurecimento das manchas. Por isso, mesmo pacientes que estavam estáveis ao longo do ano frequentemente apresentam piora entre novembro e março. O lado positivo é que, com as estratégias corretas e tratamentos adequados para a estação, é possível atravessar o verão com a pele protegida, estável e até com melhora.
Por Tais Paz 13 de novembro de 2025
O verão é sinônimo de pele à mostra, roupas leves e idas frequentes à praia ou piscina — e, com isso, cresce a busca por soluções práticas e duradouras para eliminar os pelos. Entre as opções disponíveis, a depilação a laser se destaca por oferecer resultados progressivos, conforto e um acabamento impecável na pele.  Mas será que é possível realizar o tratamento nessa época do ano? A resposta é: sim, com os cuidados certos e a tecnologia adequada , o verão pode ser um ótimo momento para investir na depilação definitiva.
Por Tais Paz 5 de novembro de 2025
Com a chegada do verão, cresce o interesse por procedimentos que proporcionam mais bem-estar, liberdade e autoestima — e entre eles, a ninfoplastia tem se destacado. Também conhecida como labioplastia , essa cirurgia íntima vem sendo cada vez mais procurada por mulheres que desejam melhorar o conforto, a estética e a harmonia da região genital , especialmente nessa época do ano em que o corpo fica mais exposto e o calor pode acentuar desconfortos. Mais do que um procedimento estético, a ninfoplastia está profundamente ligada à qualidade de vida e ao bem-estar íntimo feminino , devolvendo a sensação de leveza e confiança no próprio corpo.